
A doação de leite humano é um gesto de solidariedade com impacto direto na saúde pública. No Brasil, mais de 230 mil recém-nascidos são internados anualmente, muitos deles prematuros ou de baixo peso, que podem ser beneficiados com o leite humano doado. Para que essa rede continue funcionando de forma segura e eficaz, a atuação dos profissionais de saúde é decisiva. Mais do que incentivar, é preciso orientar com embasamento técnico, sensibilidade e responsabilidade.
🩺 Critérios Atualizados para Doação segundo o Ministério da Saúde

Segundo a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH) e o Ministério da Saúde, podem doar leite humano mulheres que:
- Estejam em boas condições de saúde;
- Não estejam fazendo uso de medicamentos contraindicados para doação;
- Tenham condições higiênico-sanitárias para realizar a coleta;
- Estejam dispostas a realizar a extração e o armazenamento conforme as orientações do BLH;
- Mães que perderam seus bebês também podem doar.
Essa atualização reconhece o potencial terapêutico e simbólico da doação nesse contexto e amplia o acesso ao leite humano para os bebês que precisam.
🤝 Captação de Doadoras: Responsabilidade dos BLHs, Protagonismo dos Profissionais

A captação de doadoras é uma das funções dos Bancos de Leite Humano, mas o contato inicial ocorre nas consultas, maternidades e visitas domiciliares. Por isso, os profissionais que atuam na ponta são peças-chave nesse processo.
Uma orientação bem conduzida pode transformar uma mulher em uma doadora ativa, começando com uma escuta acolhedora e explicações claras sobre os critérios e a segurança do processo.
🔬 Triagem e Pasteurização: Visão Técnica Resumida
Após a coleta, o leite doado passa por triagem físico-química e microbiológica. São analisados:
- Cor, cheiro e volume;
- Presença de contaminantes;
- Condições de armazenamento.
O leite aprovado é pasteurizado a 62,5°C por 30 minutos e rapidamente resfriado. Esse processo elimina microrganismos patogênicos e preserva componentes bioativos como IgA secretora e lactoferrina.
💬 Acolhimento e Escuta: A Postura que Transforma
Durante o atendimento, é essencial que o profissional:
- Esclareça que a doação não compromete o leite destinado ao próprio bebê;
- Explique que mesmo pequenas quantidades fazem diferença;
- Detalhe como funciona a coleta e o serviço de coleta domiciliar, se disponível;
- Combata mitos sobre contaminação ou “perda” de leite.
👶 Benefícios Comprovados do Leite Doado para Bebês Prematuros

Estudos mostram que o leite humano, mesmo pasteurizado, reduz significativamente o risco de enterocolite necrosante, sepse e outras complicações graves em prematuros de muito baixo peso. Também está associado a:
- Menor tempo de internação;
- Melhor ganho ponderal;
- Maior sobrevida.
O leite doado é usado quando o leite da própria mãe não está disponível ou é insuficiente. É um recurso terapêutico que salva vidas.
❓ Dúvidas Comuns entre Mães: Como Orientar com Segurança
- “Vou deixar de produzir para o meu bebê?”
Não. A doação estimula a produção e só é feita com o leite excedente. - “E se o leite estragar?”
Todo leite doado passa por rigoroso controle de qualidade, incluindo pasteurização e análise microbiológica. - “Precisa ser muito leite para doar?”
Não. Pequenas quantidades são suficientes para salvar vidas.
✅ Conclusão
Promover a doação de leite humano vai além da divulgação. É papel do profissional de saúde orientar com base em evidências, acolher com escuta ativa e reforçar que esse gesto salva vidas. A qualidade da informação transmitida pode ser a diferença entre um leite que seria desperdiçado e a recuperação de um recém-nascido.
📚 Referências
- Ministério da Saúde – Banco de Leite Humano
ESPÍNDOLA, G. et al. Efeitos do leite humano doado sobre a saúde de prematuros: revisão sistemática. Rev. Paul. Pediatr., 2020.
ESPÍNDOLA, K. S. et al. Banco de leite humano: segurança e controle microbiológico. Revista Enfermagem UERJ, 2019.
Imagens: Agência UEL de Notícias / Gemini IA Generativa / OpenAI Chat-GPT Generativa


