Por que o açúcar que seu bebê não precisa está sendo colocado nos produtos infantis?

🧠 Uma reflexão sobre colonialismo alimentar, marketing agressivo e como o açúcar virou ferramenta de fidelização precoce.

Você já ouviu falar em colonialismo alimentar? Pode parecer um conceito antigo, mas ele está vivo nas prateleiras de supermercados, especialmente nos países em desenvolvimento. Inclusive nos produtos direcionados aos bebês.

📊 Em abril de 2024, uma investigação coordenada pela Public Eye, em parceria com a IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar), revelou que a Nestlé comercializa versões diferentes dos mesmos produtos para diferentes partes do mundo. Enquanto na Suíça ou Alemanha o mesmo cereal infantil é oferecido sem açúcar, nos países do Sul global, como Senegal ou Brasil, ele vem adoçado com até 6g de açúcar por porção.

📷 Trecho traduzido da Public Eye Magazine April 2024, em tradução livre. Fonte: Public Eye

Mas por quê?

Essa diferença não é por acaso. Ao adicionar açúcar aos produtos oferecidos logo no início da vida, as empresas moldam o paladar infantil desde cedo. Treinam o gosto para o doce. Criam uma memória gustativa que se perpetua. É o início de uma jornada de consumo construída estrategicamente.

📈 No marketing, isso tem até um nome técnico: LTV – Lifetime Value, ou valor vitalício do cliente. É a estimativa de quanto uma marca pode lucrar com um único consumidor ao longo da vida. O açúcar, nesse contexto, não é apenas um ingrediente: é um gatilho de fidelização.

⚠️ É sobre mercado. Mas deveria ser sobre saúde.

Mesmo com recomendações firmes da Organização Mundial da Saúde e da Sociedade Brasileira de Pediatria para que nenhum açúcar adicionado seja oferecido a crianças menores de 2 anos, essas empresas seguem vendendo o oposto. E fazem isso onde a fiscalização é frágil, o apoio à amamentação é precário, e as famílias, muitas vezes, estão vulneráveis e desinformadas.


📷 Outro trecho traduzido da Public Eye Magazine April 2024, em tradução livre. Fonte: Public Eye

❓ Não estamos aqui para julgar quem já usou esses produtos — mas para levantar perguntas que incomodam:

  • Por que as fórmulas e papinhas vendidas nos nossos mercados têm uma composição inferior às vendidas nos países mais ricos?
  • Por que mães do Sul global são tratadas como consumidoras de segunda classe?

💬 A resposta é dura, mas clara: porque ainda podem ser.

Quando o sistema público de saúde falha em garantir informação de qualidade e apoio à amamentação, as famílias se veem diante de rótulos sedutores, que prometem praticidade e nutrição. Mas que, por trás, escondem açúcar, gordura e interesses comerciais.

🎨 Ilustração de O Joio e O Trigo, disponível em Instagram, reproduzida por The Intercept Brasil em reportagem de Nathália Iwasawa

🗣️ Precisamos conversar sobre isso.

📌 No Instituto Ery, defendemos o acesso à informação como uma ferramenta de autonomia. Não se trata de dizer “isso pode” ou “isso não pode”, mas de garantir que toda família tenha o direito de escolher com base em evidência, não em propaganda.


🖼️ Ilustração crítica sobre colonialismo alimentar e marketing infantil. Fonte: The Intercept Brasil

👶 Porque todo bebê merece começar a vida nutrido por escolhas conscientes, e não por estratégias de marketing.

📚 Fontes:

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Editorial Instituto Ery