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Por Tiemi Yoshida

Pediatra, especialista em Neonatologia e Terapia Intensiva Pediátrica

 

O Teste da Linguinha é fundamental para bebês com anquiloglossia

O que você sabe sobre o Teste da Linguinha? Ele é o responsável por identificar a anquiloglossia e, no Brasil, é parte da rotina de avaliação dos recém-nascidos desde 2014. Esse procedimento segue as recomendações do Ministério da Saúde com o Protocolo Bristol, ou BTAT (Bristol Tongue Assessment Tool), que se baseia na ATLFF (Função do Frênulo Lingual de Hazelbaker). Diante de todos esses termos, é importante, primeiro, entender o que é anquiloglossia e o Protocolo Bristol. Assim, podemos compreender a importância de falarmos sobre essa rotina de maternidade. Para começar, a anquiloglossia é uma anomalia congênita que ocorre quando o tecido embrionário permanece na região ventral da língua. No popular, chamamos de língua presa, já que esse tecido está no freio lingual.

O Protocolo Bristol

Como já vimos no início desse texto, o Teste da Linguinha e, com ele, o Protocolo Bristol se tornaram rotina em 2014 aqui no Brasil. Apesar de não haver consenso na literatura sobre o melhor método para avaliação do frênulo lingual, esse instrumento se adequa muito bem como um teste de triagem em massa dos bebês nas maternidades. Isso porque é simples para aplicar e fornece uma medida objetiva da gravidade da anquiloglossia. Para compreender melhor, temos essa ilustração abaixo, que representa os elementos avaliados no Protocolo Bristol. Sua avaliação é realizada por meio da soma de 4 itens e sua nota pode variar de 0 a 8 pontos. Quando essas notas ficam entre 0 e 3, o indicativo é de casos graves. Vamos conferir:

escore do protocolo bristol para anquiloglossia ou língua presa

Qual a conduta frente ao escore de Bristol alterado?

Os profissionais não determinam a necessidade de uma primeira cirurgia apenas com o exame do frênulo lingual e o escore do Protocolo Bristol alterado. Quando casos mais graves são identificados após o Teste da Linguinha, a história é outra. Se a anquiloglossia for responsável por impossibilitar o recém-nascido de mamar, a decisão por realizar o procedimento cirúrgico, que é chamado de frenotomia, se torna mais fácil. Nos casos moderados, porém, é necessária uma avaliação que vai além da capacidade de mamar do bebê. Ela passa pelo seguimento do binômio e uma avaliação ampla da mãe e do recém-nascido para identificar outros fatores que possam estar dificultando a amamentação. Essa identificação dos problemas de amamentação é um fator essencial para evitar a indicação equivocada de uma cirurgia, a frenotomia.

Importância da avaliação

Existem diversos parâmetros avaliativos para a anquiloglossia, ou língua presa. A dor ou problemas relacionados à capacidade de mamar do bebê são apenas alguns deles. Assim, as equipes interdisciplinares avaliam muitos outros fatores antes de concluírem que o problema de amamentação tem como causa o frênulo lingual. Isso, como já vimos anteriormente, poderia resultar em uma intervenção cirúrgica desnecessária. Para se ter uma melhor noção da importância dessas questões, uma pesquisa analisou 153 bebês, dos quais apenas 30,1% foram indicados para a realização da frenotomia. Isso só reforça como as equipes de avaliação são um fator determinante para os recém-nascidos que apresentam alguma dificuldade para mamar.  

Mais detalhes da anquiloglossia

Caso deseje saber um pouco mais sobre as recomendações do Ministério da Saúde para avaliação desses casos, é só clicar aqui para baixar ou acessar o documento do órgão com mais detalhes.

Referências

MS, Secretaria de atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Coordenação Geral da Saúde da Criança e Aleitamento Materno – Nota técnica Nº 35/2018

Ingram J, Johnson D, Copeland M, et al. The development of a tongue assessment tool to assist with tongue-tie identification. Arch Dis Child Fetal Neonatal. Ed 2015;100:F344-F348.

Diercks GR, Hersh CJ, Baars R, Sally S, Caloway C, Hartnick J. Factors associated with frenotomy after a multidisciplinar assessment of infants with breastfeeding difficulties. International Journal of Pediatric Otohinolaryngology 2020.