A amamentação é uma experiência única e poderosa que fortalece o vínculo entre a mãe e o bebê, além de oferecer inúmeros benefícios nutricionais e imunológicos para a criança. Em famílias de dupla maternidade, onde duas mulheres compartilham a jornada de criar e nutrir um filho, a amamentação traz novas oportunidades e desafios. A mãe que não está gestante pode ter o desejo de também amamentar o bebê que vai nascer. Esse desejo é legítimo e possível de ser realizado com a técnica de indução da lactação.
Neste artigo, vamos explorar as possibilidades de como a amamentação pode ser abordada em famílias de dupla maternidade, incluindo indução de lactação, como a amamentação pode ser compartilhada, os benefícios para as mães, para o bebê e o papel dos profissionais de saúde em apoiar essas famílias. O objetivo é oferecer informações práticas tanto para famílias quanto para profissionais de saúde, ajudando a promover uma experiência de amamentação bem-sucedida e inclusiva.
1. O Que é Amamentação em Famílias de Dupla Maternidade?
Em famílias de dupla maternidade, há duas mulheres que podem desejar participar da amamentação do bebê. Isso pode ocorrer em 2 diferentes cenários, como:
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Casais em que uma mãe gestou o bebê e amamenta naturalmente, enquanto a outra mãe apoia e cuida de outras maneiras. Nessa situação, uma mulher vai amamentar e a atuação do profissional deve ser ajudar a vencer os desafios iniciais e a estabelecer uma amamentação satisfatória. A mãe que não gestou vai atuar como um apoio de extrema importância para ajudar a aliviar a sobrecarga de cuidar de um bebê.
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Casais que optam pela amamentação compartilhada, onde ambas as mães amamentam o bebê, mesmo que apenas uma delas tenha gestado. Nesse texto vamos nos concentrar nessa situação.
2. Amamentação Compartilhada: Como Funciona e Quais São os Benefícios?
A amamentação compartilhada é uma prática em que ambas as mães de uma família de dupla maternidade participam da amamentação do bebê. Essa abordagem pode trazer inúmeros benefícios, incluindo:
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Fortalecimento do vínculo entre o bebê e ambas as mães, permitindo que ambas participem ativamente da nutrição e cuidado do bebê.
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Maior flexibilidade para as mães, pois elas podem se alternar na alimentação do bebê, facilitando a rotina diária e oferecendo mais tempo de descanso para cada uma.
A possibilidade de compartilhar a amamentação é uma forma de ambas as mães experimentarem a intimidade e a conexão que a amamentação proporciona. Isso pode ser especialmente importante para a mãe não-gestante. No entanto, é importante lembrar que a glândula mamária é uma glândula secretora e é necessário que a mãe que não está gestante realize o pré – natal não gestacional, a fim de garantir uma amamentação sem riscos para o bebê.
3. Indução de Lactação: O Que é e Como é Feita?
Indução de lactação é o processo que permite que uma mulher que não passou por uma gravidez produza leite e amamente. Esse processo é possível graças ao uso de medicamentos que imitam as mudanças que ocorrem na mama durante uma gestação e da estimulação mamária. O método pode ser particularmente útil em famílias de dupla maternidade, permitindo que a mãe não-gestante também amamente.
4. Desafios da Amamentação em Famílias de Dupla Maternidade
A amamentação em famílias de dupla maternidade traz alguns desafios que devem ser levados em consideração. A Dificuldade na Produção de Leite pela mãe que não gestou é um ponto que precisa ser considerado, pois apesar da indução da lactação permitir a produção de leite, esse é um processo que pode ser lento e incerto. Em alguns casos, a quantidade de leite produzido pode não ser suficiente para atender uma mamada completa do bebê, necessitando de complementar com leite materno ordenhado.
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a) Expectativas não correspondidas
Muitas vezes as mães criam expectativas que vão conseguir alternar as mamadas de maneira que elas possam descansar. No entanto, a mãe que está produzindo mais leite, quando for “pular” uma mamada, precisa retirar o seu leite para que ele não fique retido e também para manter sua produção. A mãe que induziu a lactação pode precisar oferecer o leite ordenhado por relactação para complementar a mamada. Então de uma maneira ou de outra, muito frequentemente as duas vão estar envolvidas na mesma mamada.
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b) Pressões Sociais e Estigmas
Infelizmente, ainda existem estigmas sociais em torno de famílias de dupla maternidade, e isso pode incluir críticas à prática de amamentação compartilhada. O apoio da comunidade e de profissionais de saúde que entendem e respeitam essa prática é fundamental para o sucesso e a aceitação da amamentação nessas famílias.
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c) Acesso a Recursos e Suporte Adequado
A indução de lactação é um processo que exige orientação médica e o uso de recursos específicos, como bombas de extração de leite e, às vezes, medicamentos. Nem todas as famílias têm fácil acesso a esses recursos, mas o suporte do profissional de saúde e a orientação de como estimular a mama pode ser feita de maneira gratuita em Bancos de Leite Humano e nas Unidades Básicas de Saúde. Lembrar que é o preconceito, a falta de apoio e suporte adequados que são barreiras para quem deseja realizar a indução.
5. Estratégias para Facilitar a Amamentação em Famílias de Dupla Maternidade
Se você e sua parceira estão considerando a amamentação compartilhada, existem várias estratégias que podem ajudar a tornar essa experiência bem-sucedida e gratificante:
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a) Planejamento Antecipado e Consulta Médica
Procure ajuda para começar o processo de indução de lactação, se possível vários meses antes do nascimento do bebê. Isso oferece tempo suficiente para que a terapia medicamentosa e a estimulação mamária funcionem. Consulte um profissional de saúde, para criar um plano personalizado.
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b) Uso de Bombas de Extração de Leite de Alta Qualidade
Para aumentar as chances de sucesso na produção de leite, usar bombas de extração de alta qualidade ajuda, mas como alternativa pode-se usar uma bomba manual d eboa qualidade ou mesmo ordenha com as mãos . A extração frequente (a cada 3 horas) é fundamental para iniciar e manter a produção de leite.
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c) Receber Apoio de Profissionais de Amamentação
Profissionais de saúde que trabalham com amamentação, podem oferecer suporte valioso durante todo o processo de indução de lactação e amamentação compartilhada. Eles podem ajudar a resolver problemas de pega, sugerir técnicas de estimulação e fornecer apoio emocional para enfrentar possíveis desafios.
6. Benefícios da Amamentação Compartilhada para o Bebê e para as Mães
A amamentação compartilhada não beneficia apenas as mães, mas também oferece vantagens importantes para o bebê. Entre os benefícios para o bebê estão:
a) Desenvolvimento Emocional
Ter um vínculo de amamentação com ambas as mães pode ajudar o bebê a desenvolver um vínculo emocional forte com ambas as figuras parentais. Isso cria um ambiente seguro e amoroso, fundamental para o desenvolvimento emocional e social da criança.
b) Maior Flexibilidade na Alimentação
Se ambas as mães podem amamentar, a flexibilidade na alimentação do bebê aumenta. Isso ajuda muito em situações por exemplo quando uma das mães precisa se ausentar, além disso o peito é uma importante forma de consolar o bebê e é uma boa vantagem poder revezar os cuidados esses momentos.
c) Continuidade da Alimentação Materna
Se uma das mães precisar se ausentar ou não puder amamentar temporariamente, a outra pode continuar oferecendo leite materno, garantindo a continuidade da alimentação materna para o bebê e mantendo os benefícios do leite materno por mais tempo.
7. O Papel dos Profissionais de Saúde no Apoio às Famílias de Dupla Maternidade
Para que a amamentação em famílias de dupla maternidade seja uma experiência bem-sucedida, o apoio de profissionais de saúde é essencial. Esses profissionais devem estar preparados para:
- Oferecer informações objetivas, práticas e não julgadoras sobre as opções de amamentação, incluindo a indução de lactação.
- Apoiar a diversidade e inclusão no atendimento, reconhecendo e respeitando as necessidades específicas de cada família.
- Educar sobre técnicas e recursos, como o uso de bombas de extração e medicamentos para aumentar a produção de leite, bem como ajudar a resolver dificuldades de amamentação.
Conclusão: Amamentação em Famílias de Dupla Maternidade – Um Ato legítimo e de Inclusão
A amamentação em famílias de dupla maternidade é uma das formas de alimentar um bebê e assim deve ser cuidada. Para as famílias, compartilhar a experiência de amamentação pode fortalecer laços e proporcionar um senso de conexão profunda entre o bebê e ambas as mães. Embora existam desafios a serem superados, o apoio adequado de profissionais de saúde e o planejamento antecipado podem ajudar a tornar essa jornada possível e gratificante.
Para os profissionais de saúde, é fundamental adotar uma abordagem aberta e informativa, oferecendo o suporte necessário e ajudando a eliminar estigmas e barreiras sociais. Isso inclui fornecer orientações claras sobre indução de lactação, promover o uso de recursos para uma amamentação segura, e apoiar as famílias em todas as etapas dessa experiência única.
A amamentação é uma das formas mais íntimas de cuidar de um bebê, e cada família deve ter a oportunidade de escolher o que funciona melhor para ela. Para muitas famílias de dupla maternidade, isso significa poder compartilhar a experiência de nutrir o bebê, lado a lado, criando laços que durarão por toda a vida.
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